O poder de cascas, talhos e folhas

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Gislandia Governo

Rio - Um cardápio no qual se aproveitam talos, cascas e folhas pode parecer estranho. Mas um estudo concluído recentemente pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), encomendado pelo Sesi-SP, pode fazer com que as donas-de-casa revejam a atitude de jogar fora essas partes ‘não-convencionais’ de frutas, verduras e legumes.
A pesquisa analisou 19 alimentos e comprovou que, em muitos casos, os itens geralmente descartadas podem ter tantos ou até mais nutrientes que a polpa e a semente de frutas e das verduras, ou a folhagem de vegetais.
Um dos resultados que mais surpreendeu foi sobre a cenoura. “A rama e a casca são muito mais nutritivas que a polpa. Em 100 gramas da rama há quatro vezes mais proteína, três vezes mais vitamina C e quantidade ainda maior de ferro do que na polpa”, destaca a nutricionista Tereza Watanabe, do Sesi/SP. “O fato é que, nas feiras, os vendedores sempre perguntam se queremos levar cenouras com ou sem rama. A cada dez pessoas, nove preferem sem. Infelizmente falta conhecimento à população”, comenta Tereza.
Outro resultado surpreendente é em relação ao potássio. “Geralmente, as pessoas associam a banana como a principal fonte de potássio. No entanto, descobrimos que 100 gramas da casca do pepino é ainda mais rica em potássio que a fruta. Além disso, a casca do pepino é riquíssima em fibras, o que torna a digestão mais fácil”, diz Tereza.
A professora da Unesp Giuseppina Pace Pereira Lima destaca que 60% do lixo produzido no Brasil é orgânico. “Nosso lixo é o mais rico do mundo. Não podemos pensar que sementes de abóbora ou folhas do brócolis, por exemplo, são restos jogados fora”, diz.
Ela ainda cita que o reaproveitamento de alimentos deveria ser adotado em programas para a população de baixa renda. “Tudo pode ser aproveitado. Além de se diminuir gastos com a alimentação, a saúde do brasileiro só tem a agradecer”, finaliza.
LAVAGEM COM ÁGUA CORRENTE E USO DE CLORO SÃO INDISPENSÁVEIS
A diretora de alimentação do Sesi/SP, Tereza Watanabe, destaca os cuidados com a higienização dos alimentos. “Eles devem ser bem lavados em água corrente e deixados de molho por pelo menos 15 minutos em água clorada”, diz. Mas ela destaca que é preciso ter cuidado na dosagem de cloro. “Deve-se colocar somente uma colher (sopa) de água sanitária (com 2% a 2,5 % de hipoclorito na formulação) para cada litro d’água”, ensina Tereza.
A nutricionista lembra que as cascas e os talos dos alimentos devem ser consumidos de preferência crus. “Ao cozinhá-los, perde-se uma parte dos nutrientes”, explica Tereza Watanabe. E ela dá a dica: “As cascas fatiadas ou raladas são ideais para serem adicionadas em saladas”. Já sobre as sementes de abóbora, a especialista destaca que podem ser consumidas como petiscos. “As sementes devem ser assadas no forno. Ficam gostosas e são nutritivas. A concentração de proteínas em 100 gramas de sementes é 10 vezes maior que a da polpa da abóbora.”
A enfermeira Isabel da Costa Queiróz garante que em sua casa todas as sobras são aproveitadas. “Picamos os talos dos vegetais e colocamos na salada. A rama da cenoura eu gosto de misturar na sopa. O odor e o sabor ficam mais acentuados”, acredita.
A aposentada Adaltina de Menezes Pinheiro também aposta no poder dascascas. “Abóbora só cozinho com a casca. Faz muito bem para o meu intestino. E também faço sucos com cascas de abacaxi”, conta.

 

Fonte: O Dia




This entry was posted on Domingo, Outubro 5th, 2008 and is filed under Dietas, Informativos, Plantas medicinais, Saúde. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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